Aliados e oposição divergem sobre envio de denúncia contra Temer à Câmara


Antes mesmo de ser encaminhada à Câmara dos Deputados, a denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer pelos crimes de obstrução de Justiça e organização criminosa repercutiu entre aliados e oposicionistas do governo no Congresso Nacional.

Além de criticar o conteúdo da denúncia, defensores de Temer acreditam que ela só poderá ser enviada à Câmara após o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir, na quarta-feira (20), sobre a validade das provas entregues pelos delatores da J&F, cujo teor está sob suspeição. Já para a oposição, a denúncia tem como base provas colhidas em investigações contra o chefe do Executivo e que, independentemente da validação do acordo de delação, podem ser utilizadas.

O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, disse que vai cumprir o que prevê a Legislação quanto à tramitação de denúncias contra o presidente da República para que a Casa não pare e, uma vez encerrado o assunto, retorne à “agenda de reformas do Brasil”. “Tem que ter muita tranquilidade. É um momento muito difícil, mas nosso papel é garantir o equilíbrio e a paz no Brasil para que o Poder Legislativo cumpra seu papel com toda tranquilidade sem nenhuma pressa, respeitando o Regimento e a defesa do presidente”.

Validade de aúdios

Um dos principais aliados de Temer na Câmara, o deputado Beto Mansur (PRB-SP) questionou o oferecimento da denúncia pela mesma procuradoria que, segundo ele, abriu uma investigação para confirmar a validade de áudios gravados pelos delatores do grupo JBS. De acordo com ele, o presidente está “sereno” quanto à denúncia porque vai provar que as “questões que o atingem não são verídicas”.

“Eles abriram uma investigação dentro da procuradoria para saber se há validade nestas provas, nestas fitas. Defendemos que essa denúncia fique paralisada até que a própria procuradoria dirima essa dúvida, se vale ou não a prova dessas fitas. Entendemos que isso deve ficar paralisado aguardando posição do próprio Supremo [sobre a matéria] na quarta-feira”, disse.

Para o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), as acusações são “gravíssimas” e a Câmara “não pode faltar à nação neste momento”. Para o parlamentar, essa denúncia chega mais forte que a primeira, pelo crime de corrupção passiva, que foi arquivada no mês passado pelos deputados. “É inaceitável, o governo não tem mais nenhuma condição de governabilidade. As provas se referem à delação da JBS, mas o que está sendo encaminhado é denúncia sobre outros fatos investigados pela Polícia Federal. Ela vem mais fortalecida, com base em inquérito da PF”, disse.

Beto Mansur rebateu que este é um momento de muito denuncismo no Brasil. “Quem está preso e faz delação premiada hoje pode até acusar a própria mãe muitas vezes para poder ser solto”, disse. Segundo ele, “há uma ânsia muito grande” de Janot e de sua equipe em acelerar as denúncias, já que na próxima segunda-feira (18) assumirá o comando do Ministério Público a nova procuradora-geral, Raquel Dodge. “Eu só espero que haja bastante serenidade nesse processo, inclusive da doutora Raquel Dodge, que pode pedir de volta esta denúncia que foi formulada pelo procurador Janot”, disse.




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Aliados e oposição divergem sobre envio de denúncia contra Temer à Câmara Aliados e oposição divergem sobre envio de denúncia contra Temer à Câmara Reviewed by Anderson Nascimento on 20:00:00 Rating: 5
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