Multinacionais de trading de petróleo entram na mira da Lava Jato


(Reuters) - A operação Lava Jato já atingiu presidentes e empresários de ponta e levou à assinatura do maior acordo de leniência da história, mas alegações de corrupção apresentadas por procuradores na semana passada contra quatro das maiores companhias de comércio de petróleo do mundo inauguram uma nova e explosiva fase na longa investigação.
Logo da Vitol em frente a prédio da empresa em Genebra 04/10/2011 REUTERS/Denis Balibouse
Os novos alvos dos investigadores são as tradings Vitol, Trafigura, Glencore (GLEN.L) e Mercuria Energy Group.
Procuradores do Ministério Público Federal alegam que as multinacionais europeias pagaram coletivamente mais de 31 milhões de dólares em propinas durante um período de seis anos para funcionários da Petrobras (PETR4.SA) para vender petróleo a preços manipulados.
Segundo os procuradores, executivos de altas patentes das empresas tinham conhecimento “total e inequívoco” dos prejuízos causados à Petrobras, e as atividades ilícitas ainda podem estar acontecendo.
Mais de 600 páginas de documentos legais revisados pela Reuters retratam o que os procuradores descrevem como uma movimentada organização criminosa abastecida pela criatividade, competição e cobiça. Autoridades dizem que as empresas contrataram intermediários freelancers para fazer pagamento aos funcionários da Petrobras, direcionando os valores ilícitos através de contas bancárias internacionais para cobrir os rastros.
E-mails obtidos pelos investigadores mostram os intermediários correndo para aumentar seus contatos dentro da Petrobras, segundo as autoridades. Alguns compartilharam planilhas separando até os últimos centavos a sua fração dos espólios de acordos que eles supostamente fecharam com funcionários corruptos da Petrobras.
Procuradores dizem que as mensagens também mostram que círculos de intermediários sabiam uns dos outros e batalharam ferozmente para favorecer as grandes empresas de comércio de petróleo. Alguns discutiram suas tentativas de cortejar executivos com promessas de entregar acordos mais sombrios e lucros mais expressivos para os rivais.
Um intermediário se queixou que a Vitol não era “nada sentimental” e escolheria quem quer que a garantisse os maiores retornos.
“Agora você é o sucesso do momento, e no mês que vem há um novo sucesso”, lamentou o intermediário no e-mail.
Agentes da Polícia Federal fizeram buscas na semana passada nos escritórios no Brasil da Mercuria, Vitol, Trafigura e Glencore, assim como outras entidades que supostamente participaram do esquema. Nenhuma acusação foi formalizada.
A Mercuria nega qualquer irregularidade e disse que irá cooperar com as autoridades. Vitol, Trafigura e Glencore dizem que estão cooperando com as autoridades. A Petrobras disse que já estava colaborando com as autoridades e afirma que se vê como uma vítima da corrupção.
Foram presas 8 pessoas, incluindo dois empregados da Petrobras que já foram demitidos pela empresa desde então por conta de “fortes evidências de que estão envolvidos em irregularidades”, disse a companhia em nota.
Alertas da Interpol foram emitidos para três outros homens que estão foragidos da Justiça do Brasil, incluindo um trader da Petrobras baseado em Houston. Nenhum deles foi preso.



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