Por trás das grades



Por trás das grades

Revisão: Erika Sá


De um lado, nós, encarapinhadas na grade. Do outro, a pequena sala com uma portinha que levava sabe-se lá para onde, repleta de cadeiras com senhoras sorridentes.
De túnica marrom e véu negro, todas pareciam iguais, à exceção da tia Maria José, que exibia os traços incontestes da vovó. E nos impressionava com seu conhecimento de mundo e das nossas vidas – claramente tinha TV dentro do convento e as cartas quilométricas da minha mãe não poupavam detalhes.
Eu amava ir a Passos visitar o Carmelo. Os aposentos de visita respiravam paz, a comida era incrível e a gente ainda levava para casa sacolas de retalhos de hóstia não consagrada que comíamos com suco de uva, imitando o que nossos pais faziam na missa (e que era proibido para nós até a primeira comunhão).
Mas confesso que o peso dos votos – obediência, castidade e pobreza – chocava a mim e minhas primas, só não mais do que a clausura. Ficávamos especulando sobre o dia em que minha tia-avó saiu de casa, adolescente, trocou de nome e se trancou naqueles poucos metros quadrados mineiros, onde moraria até falecer, quase sete décadas depois.

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O mais impressionante é que as irmãs exalavam felicidade e, pasme, odiavam ir ao médico porque era a única situação em que saiam dos limites do Carmelo. As conversas duravam horas e eram sempre muito leves, pelo menos até que uma prima, a Deborah, resolvia participar.
"O que vocês querem ser quando crescer?", perguntou a tia Maria José, com sua voz doce, em uma das nossas visitas. À época, eu sonhava ser professora, minha irmã, dentista. E aí veio a Deborah: "Eu? Quero ser rica!". 
Minha irmã fez o que sempre faz quando fica nervosa: começou a gargalhar. Minha mãe aproveitou o espaço sob o parapeito da grade, oculto aos olhos das carmelitas, para beliscar a perna da Deborah. E ela, desde já muito esperta, percebendo a bronca que a esperava, completou: "Rica... de amor, saúde...".
A Deborah não parou por aí. Em outra visita, a tia Maria José perguntou qual de nós três seria freira. Minha irmã e eu exibimos sorrisos amarelos. E ela, sem pestanejar: "Eu, não. Deus me livre!".
Não, essa história não acaba com a Deborah freira. E, sim, ao que parece, ela ficou rica.
Sejamos honestos: todo mundo, com exceção da tia Maria José e companhia, quer ser rico quando crescer. E não é só de amor e de saúde, ainda que haja alguma culpa cristã atrelada ao desejo de se ter muito dinheiro.
Gosto de pensar que o pecado não é a riqueza, mas a avareza. Rico ou rica, você pode ajudar aquela tia que está passando aperto, montar um abrigo para animais abandonados e praticar outras bondades inimagináveis ­– curto a história (acho que li em uma Reader's Digest de um tio-avô) de um chef de cozinha multimilionário que construiu um restaurante cinco estrelas ligado a uma penitenciária. Todos os funcionários eram presidiários e deixariam a cela, anos mais tarde, disputados pelo mercado.
A esta altura você talvez se pergunte por que estou tentando te convencer de que é legal ser rico. Se parece óbvio a você, peço desculpas, vamos ao que interessa. Para ser rico, não vou negar, você precisa ter renda, e gastos inferiores a seus ganhos. Mas há um caminho para potencializar essa fórmula. E isso se faz com bons investimentos.
Eu entendo sua resistência a começar. Também sou bastante conservadora com o que conheço pouco. Por isso acabo de lançar um desafio, que apelidamos de 3K3.
O combinado é assim: você mantém o que tem na poupança ou naquele fundo DI do banco, que te dá segurança. Rende pouco, mas não balança, não dá susto. Tudo bem, topo conviver com ele. Mas ser rico envolve coragem, ainda que em pequenas doses.
Minha proposta é: você pega 3 mil reais e investe em três fundos de ações que vou sugerir. Não, não vou entregar os nomes dos fundos aqui. Por quê? Porque o que garante a minha independência na seleção dos três é que não ganho nada de nenhum dos gestores ou distribuidores. Somente você paga (baratinho) pela ideia de investimento. Gravei até um vídeo ensinando exatamente como fazer. 
Se você tivesse feito isso há três anos, teria mais do que dobrado o capital investido, depois de já pagos os impostos. Seria um bom começo, não?
Topa? Se você está preparado, conheça mais sobre o desafio aqui.
SEU FUNDO
Por Ana Luísa Westphalen
A Pandhora é uma gestora de fundos quantitativos, categoria que anda a passos largos lá fora, mas, aqui no Brasil, ainda engatinha. Se você não tem ideia do que estou falando, vem comigo.
Diferentemente de um fundo tradicional, que tem um gestor responsável pela tomada de decisões, em um "quant" (como são carinhosamente chamados) as alocações são feitas sem interferência humana, por meio de estratégias sistematicamente programadas. Aqui, os gestores são os algoritmos, e a gestão é feita com base em estatística.
Para dar um exemplo, seria como tirar 5 mil fotos de uma pessoa ao longo de um período e "parametrizar" as imagens, identificando os momentos em que ela está feliz, neutra ou triste, e qual é o grau de convicção do sentimento. Agora pense que essa pessoa é, na verdade, o mercado, e que "felicidade" ou "tristeza" são, respectivamente, situações em que ele está propenso a tomar risco ou não.
O multimercado da Pandhora foi lançado em dezembro do ano passado e espelha um produto criado há três anos pela casa. "O que a gente vende é um fundo totalmente sem viés, que opera ativos muito líquidos (ações, moedas e juros), com frequência baixa e sem alavancagem", resume Alexandre Bossi, um dos sócios da casa.
Hoje a Pandhora usa mais de 20 algoritmos que capturam ciclos globais de médio e longo prazo de contratos futuros de índices de ações, moedas e juros.
Os humanos entram onde? Na construção dos algoritmos. "Todos os nossos algoritmos têm fundamentos por trás. A gente parte de um fundamento e constrói as linhas de programação", explica. Os modelos matemáticos capturam mais de 10 mil preços de mercado e são rodados semanalmente.
Esses algoritmos são programados com base no "back test", que é tal qual uma simulação de como a atual estratégia ou portfólio se comportaria em pregões passados. No caso da gestora, essa base de dados contempla os últimos 25 anos.
O fundo conta hoje com 14 algoritmos só de trend following (que seguem tendências de mercado) descorrelacionados entre si, que funcionam como se fossem uma equipe de 14 operadores independentes tomando decisões. Há também um algoritmo "chefe", que só faz a alocação de risco entre eles.
E se o fundo começar a seguir uma estratégia totalmente na contramão da praticada pelos fundos convencionais? Será que não dá vontade de interferir? Foi o que perguntamos para o Alexandre, que antes de entrar para o mundo da programação já foi gestor de ações. Ele confessou que teve que superar muitas tentações nos primeiros anos do produto.
"O que prometemos é um fundo com risco controlado e completamente descorrelacionado do que oferece o resto da indústria. Se eu interferir, vou estragar isso", explica. A regra é que as intervenções humanas ocorram só no caso de eventos extremos, que não tenham sido capturados na base de dados. 
Gostou da ideia de ter parte do seu dinheiro gerido por robôs? Ou essa hipótese é muito ousada para você? Nós estamos constantemente de olho nas novas tendências do mundo dos fundos de investimento. 
Quer saber o que temos em mente? Vem por aqui!
Sardinhas do Mercado Financeiro 
Acabamos de liberar mais um episódio de nosso podcast gratuito em que trazemos a você o contato com investidores profissionais. Nele, Marco Antonio Mecchi, gestor da MZK e ex-tesoureiro do HSBC, conta como tem ganhado dinheiro com juros, câmbio e Bolsa no ano. Ouça aqui. 
Um abraço,
Luciana Seabra




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